- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24 em relação a 2022/23;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
- Possibilidade de aumento da demanda chinesa, após chuvas excessivas no campo;
- Incerteza sobre a continuidade do acordo Iniciativa de Grãos, que expirará dia 17 de julho.
Após a queda importante na última semana de junho, as cotações do trigo em Chicago registraram tendência de alta na semana encerrada em 07/07, com o vencimento para setembro terminando a sexta-feira (dia 07) em 639,40 cents por bushel.
O mercado acompanha o andamento e as condições da safra norte-americana 2023/24, com o percentual bom/excelente do ciclo de inverno tendo se mantido em 40% na última divulgação do USDA, referente à semana encerrada em 02/07. Em Kansas, principal produtor do cereal de inverno no país, somente 16% das lavouras estão em condições boas/excelentes, sem variação no comparativo semanal.
Em relação à colheita, 37% estavam completos no começo de julho, o que significa um atraso em relação ao ano passado e à média de 5 anos, que alcançavam 52% e 46%, respectivamente na mesma semana.
Já para o trigo de primavera, o percentual bom/excelente ficou em 48% no dia 02/07, queda de 2 p.p. em uma semana e abaixo do ano passado e da média de cinco anos, que atingiam 66% e 61%, respectivamente, nessa mesma época.

As vendas semanais de exportação dos EUA na semana encerrada em 29/06 alcançaram 405,8 mil toneladas, volume acima do teto das estimativas, que iam de 50 a 350 mil toneladas. Mesmo com esse resultado, o acumulado de 4,6 milhões de toneladas ainda está cerca de 1,4 milhão de toneladas abaixo do registrado nessa mesma época no ano passado.
Destaca-se que o cereal norte-americano se mantém menos competitivo que o russo, registrando um prêmio de mais de USD 100,00 por toneladas. Com isso, os rumores de que a Rússia estaria considerando aumentar o preço base de suas exportações de trigo em USD 10,00 por toneladas não tiveram maiores impactos sobre o mercado exportador norte-americano.
De qualquer forma, o mercado aguarda novidades quanto a prorrogação ou não do Acordo de Grãos, que está vigente somente até o próximo dia 17/07, caso não haja um novo acerto. A Rússia afirmou que não tem nada de novo em relação ao assunto e não está programada nenhuma reunião entre Vladimir Putin e o presidente da Turquia, que tem mediado o acordo, no sentido de avançar na renovação.
Na Argentina, 81,4% da área de 6 milhões de hectares já estavam plantadas até a última quarta-feira (dia 05), de acordo com a Bolsa de Buenos Aires. Destaca-se que as chuvas excessivas no sul da região agrícola do país têm resultado em alguns atrasos, enquanto a semeadura já está finalizada nas áreas ao norte.
No Rio Grande do Sul, também tem sido registrada umidade do solo acima do ideal, mas os trabalhos no campo estão prosseguindo, com 82% do plantio completo até o dia 06/07, com um início de ciclo bastante favorável, de acordo com a EMATER/RS.
No Paraná, o plantio do cereal está praticamente finalizado, tendo alcançado 96% do total, segundo o Deral.

O início da semana foi marcado pela notícia de que a União Europeia pensa em propor ao Banco Agrícola da Rússia a possibilidade de se reconectar à rede financeira global, através da criação de uma subsidiária. A proposta vem após várias ameaças do governo russo em descontinuar o Acordo de Grãos devido à insatisfação russa com as sanções aplicadas ao país, assim, ao mesmo tempo em que seria uma solução para as reclamações de Moscou, a medida poderia garantir a continuidade do acordo de exportações.
As novas estimativas da Comissão Europeia para a safra 2023/24 mostraram uma redução para produção do trigo soft da região. Com isso, a projeção de junho indicou um corte de 2,68 milhões de toneladas em relação ao estimado em maio, o que resultou na projeção de 129,87 milhões de toneladas produzidas no ciclo 2023/24 europeu. De acordo com o órgão, a redução foi influenciada pela expectativa de menores rendimentos na Polônia. Ainda assim, o volume é 4% maior em relação à média de 5 anos.
Para os dados semanais, as condições da safra francesa foram atualizadas para o período de 26 de junho a 02 de julho. De acordo com a FranceAgriMer, 1% do trigo soft se encontra em condições muito ruins, 4% em condições ruins, 14% em condições suficientes, 76% em condições boas e 5% em condições excelentes. Assim, o ciclo permanece em condições melhores em relação a 2022 no mesmo período, visto que, no ano passado, a vigésima sexta semana do levantamento mostrou 2% em condições muito ruins, 11% em condições ruins, 23% em condições suficientes, 61% em condições boas e 3% em excelentes.
Para o trigo duro, cerca de 1% está em condições péssimas, 5% em condições ruins, 24% em condições suficientes, 60% em condições boas, e 10% em condições excelentes. Com isso, o trigo duro francês também segue melhor em relação ao mesmo período de 2022, quando as condições péssimas, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 13%, 30%, 54% e 1%.
Por fim, o volume de exportações do trigo europeu foi atualizado pela Comissão Europeia, mostrando que o acumulado das 53 semanas de comercialização do trigo soft 2022/23 foi 11,58% superior em comparação ao relatado no mesmo período do ano passado. Com isso, os dados até o dia 30 de junho indicaram que o volume total atingiu 31,1 milhões de toneladas. Por outro lado, o trigo duro 2022/23 encerrou com 742,7 mil toneladas exportadas, volume 23,6% menor em relação ao total do mesmo período no ano passado.

As notícias sobre o Mar Negro seguiram influenciando o mercado de trigo. A Rússia permanece ameaçando a não renovação da Iniciativa de Grãos, que vencerá no dia 17 de julho. O país busca pelo relaxamento das sanções, como uma melhora do acesso aos grãos e fertilizantes russos, além da readmissão no sistema bancário internacional de pagamentos (o SWIFT), o qual teve o acesso pela Rússia prejudicado após a invasão na Ucrânia.
Com as reclamações não atendidas, o Ministério de Relações Exteriores russo anunciou na terça-feira (04) a necessidade dos navios de grãos oriundos dos portos ucranianos deixarem a região do Mar Negro antes do vencimento do acordo. Isso porque as autoridades russas não entendem que existem razões para a continuidade da Iniciativa, uma vez que o governo segue sendo prejudicado por sanções.
Apesar das dificuldades em relação à guerra, as exportações de grãos ucranianos 2022/23 mostram uma melhora em relação a 2022. Foi relatado que, até o dia 30 de junho, o acumulado de grãos embarcados foi de 48,9 milhões de toneladas, volume 1,3% superior em relação ao ano passado. Desse total, o trigo é responsável por 16,8 milhões de toneladas, uma alta de aproximadamente 10% contra a safra anterior. No entanto, a possibilidade da Rússia não renovar o acordo pode mudar tal trajetória.
Agora, o mercado está atento às exportações ucranianas referentes ao ciclo 2023/24, iniciadas na semana passada. Segundo o Ministério de Agricultura do país, as exportações de grãos ucranianos 2023/24 estavam em 34 mil toneladas até o início da semana passada, com o trigo sendo responsável por 9 mil toneladas. Contudo, os bloqueios de navios pelo Mar Negro devem continuar sendo um problema para o país.
A Associação Ucraniana de Grãos (UGA, sigla em inglês) aumentou a sua estimativa de produção de grãos ucranianos. O aumento corresponde a, aproximadamente, 1 milhão de toneladas, podendo resultar em 69 milhões de toneladas. Desse volume, o órgão indica que o trigo pode ser responsável por 17,9 milhões de toneladas.





