- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativas de maior produção global para a safra 2023/24 em relação a 2022/23;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Condições ruins para a safra HRW nos Estados Unidos, sobretudo no Kansas.
- Vencimento do acordo Iniciativa de Grãos nesta segunda-feira (17 de julho).
Na última semana, os fatores altistas predominaram no mercado de trigo e as cotações do cereal em Chicago finalizaram o período no campo positivo. O vencimento para setembro terminou a sexta-feira (dia 14) em 661,5 cents por bushel, alta de 1,8%.
Nos EUA, condições da safra norte-americana 2023/24 de inverno mantiveram, mais uma vez, o mesmo percentual bom/excelente, em 40%, na última divulgação do USDA, referente à semana encerrada em 09/07. Destaca-se que houve uma pequena melhora das condições em Kansas, principal produtor do cereal de inverno no país, com o percentual bom/excelente passando de 16% para 18%. Já a colheita avançou para 46% do total, mantendo-se num ritmo atrasado em relação ao ano passado e à média de 5 anos, que estavam em 62% e 59%, respectivamente nessa mesma semana.
Para o trigo de primavera, o percentual bom/excelente caiu para 47% no dia 09/07, variação semanal negativa de 1 p.p., mantendo-se abaixo do ano passado e da média de cinco anos, que atingiram 70% e 63%, respectivamente.
De qualquer forma, mesmo com essas condições piores que em anos anteriores, o USDA promoveu um ajuste positivo da produtividade e da produção 2023/24 dos EUA em seu relatório mensal de oferta e demanda. O rendimento passou de 3,02 para 3,10 toneladas por hectares, sob justificativa dos resultados da primeira pesquisa referente à safra 2023/24 junto a agricultores, que indicou uma produtividade maior que a esperada para o trigo de inverno, mais que compensando a queda no rendimento das lavouras de primavera.
Assim, o relatório acabou sendo baixista para os preços do cereal logo após a divulgação, como aconteceu também para o milho e para a soja.

Já as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 06/07 alcançaram 395,7 mil toneladas, volume dentro do intervalo das estimativas, entre 50 e 550 mil toneladas. De qualquer forma, o acumulado da safra 2023/24 se mantém abaixo do ano passado.
Para a Argentina, destaca-se que o USDA cortou em 2 milhões de toneladas a estimativa de produção do país 2023/24, para 17,5 milhões de toneladas, nível ainda acima do trazido pela Bolsa de Rosário (BCR), que caiu de 16,2 para 15,6 milhões de toneladas. A BCR justificou o recuo devido à queda na área estimada de plantio do cereal, em meio à falta de chuvas em algumas regiões.
No Brasil, o Levantamento de Safra da Conab aumentou a estimativa de produção de trigo nesse ano, passando de 9,77 para 10,43 milhões de toneladas, em decorrência de um leve aumento de área e de um ajuste positivo da produtividade esperada, para 3,04 toneladas por hectare.
Essa semana que começa será decisiva quanto à renovação do Acordo Iniciativa de Grãos, que está vigente até hoje (17/07), caso não haja um novo acerto. A Rússia continuou mantendo as ameaças de uma não renovação. Destaca-se que a garantia de passagem segura pelos portos do Mar Negro desde meados de 2022 permitiu o embarque via marítima de mais de 32 milhões de toneladas de grãos/cereais e alimentos (como trigo, milho, cevada e óleo de girassol), garantindo o abastecimento de países dependentes de importações e contribuindo para a segurança alimentar mundial. Será importante observar como sua possível interrupção afetará os embarques ucranianos.

O WASDE de julho trouxe revisões para a União Europeia em linha com os números da Comissão Europeia. Segundo o reporte, a safra 2023/24 da região deve ser de 138 milhões de toneladas produzidas, menor em relação às 140,5 milhões de toneladas estimadas em junho, com tal correção podendo estar atrelada à diminuição de rendimento na Alemanha, França e Itália devido ao clima seco.
No entanto, vale destacar que a projeção de julho segue sinalizando uma produção 2,7% superior à produção 2022/23, sinalizando que, apesar do clima seco, as condições climáticas podem não ser um grave problema para as lavouras.
Em relação às atualizações semanais, o acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer foi atualizado contendo o período de 03 a 09 de julho. Para o trigo soft, a 27ª semana de levantamento mostrou que as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes foram de, respectivamente, 1%, 4%, 16%, 75% e 5%. As lavouras permanecem em melhores condições em comparado ao mesmo período de 2022, dado que no ano passado as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes estavam em, respectivamente, 2%, 12%, 22%, 61% e 3%.
Para o trigo duro francês, o documento indicou que 1% da safra está em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 25% em condições suficientes, 58% em condições boas e 10% em condições excelentes. O trigo duro também exibe melhora em relação ao ano passado, visto que em 2022 cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 30% em condições suficientes, 54% em condições boas e 1% em condições suficientes.
Além disso, os novos dados da Comissão Europeia mostram o início das exportações do trigo europeu geral da safra 2023/24. Até o dia 09 de julho, o acumulado de exportações foi de 360,8 mil toneladas para o trigo soft, abaixo das 664,5 mil toneladas exportadas no mesmo período de 2022.

No início da semana, o trigo encontrou suporte na incerteza sobre o prolongamento da Iniciativa de Grãos, dado que a Rússia continuou afirmando não estar interessada na renovação do acordo, que vencerá no dia 17/07.
A tensão entre os dois países se intensificou após a Rússia atacar a cidade de Odessa, onde está localizado o maior porto de embarques ucraniano. Foi relatado que o incêndio causado pelo ataque acabou atingindo um terminal de grãos, afetando também a infraestrutura do lugar. No entanto, o mercado pareceu não dar tanto peso para o evento, visto que não se verificou picos relevantes nas cotações.
Além disso, o WASDE divulgado na quarta-feira (12) mostrou uma expectativa de maior exportação 2023/24 russa em relação ao estimado anteriormente. A projeção do volume exportado pela Rússia passou de 46,5 milhões de toneladas para 47,5 milhões de toneladas, sendo um reflexo da maior competitividade do cereal russo.
Em relação à Ucrânia, o reporte de julho trouxe uma revisão de +5% para as exportações 2022/23 ante o projetado em junho, mas a incerteza quanto ao Acordo de Grãos no longo prazo seguiu no radar do USDA. Com isso, estima-se que as exportações 2023/24 diminuirão 37,5% ante o ciclo anterior, devendo resultar em 10,5 milhões de toneladas.
Ao fim da semana, líderes da Comissão Europeia e das Nações Unidas pareciam buscar soluções para estender a Iniciativa, mas até hoje (17), dia do vencimento do acordo, a Rússia não manifestou interesse em mantê-lo.
Com isso, a Ucrânia declarou possuir um “plano B” para escoar os grãos, mas ainda há uma incerteza quanto à real efetividade dessa alternativa. O trigo foi o segundo produto mais exportado pela Ucrânia durante o acordo (8,9 milhões de toneladas), e a sua interrupção pode exercer suporte aos preços.





