- Fraco desempenho de vendas de exportação dos EUA;
- Estimativa de maiores estoques finais para a safra 2023/24 dos EUA;
- Excedente de oferta russa e preços FOB vantajosos em relação ao oferta dos EUA.
- Ucrânia buscando alternativas para garantir suas exportações
- Fim da Iniciativa de Grãos do Mar Negro;
- Ataques do governo ucraniano às regiões portuárias da Rússia;
- Condições abaixo da média de 5 anos para a safra de primavera nos Estados Unidos.
O mercado futuro de trigo em Chicago obteve mais uma semana sob pressão com movimento de queda nos preços, que obtiveram variação de -3,4% no comparativo sexta contra sexta. Apesar de novos ataques russos terem sido registrados, os preços do trigo seguem limitados à medida que a atividade de colheita começa a terminar no Hemisfério Norte e a robusta oferta russa continua a inundar o mercado.

A Rússia atacou portos do rio Danúbio, o que prejudicou armazéns de grãos. Cerca de 13 mil toneladas de grãos foram destruídas. Embora os ataques reacendam preocupações com a Ucrânia, o mercado futuro de trigo está pressionado pelos fundamentos de oferta e acredita em rotas alternativas para escoamento dos grãos ucranianos.
Nos Estados Unidos, o relatório de Acompanhamento de Safra do USDA com os dados até o último domingo (20), indicaram perda no percentual bom/excelente da safra de primavera do país, que passou de 42% para 38%.
A safra de trigo da Argentina continua obtendo piora em suas condições, levando a Bolsa de Valores de Buenos Aires a reduzir as classificações boas em 20% esta semana.
No mercado dos EUA, entre os dias 11 e 17 de agosto, as vendas líquidas de trigo 2023/24 alcançaram 406 mil toneladas, nível mais próximo do teto das estimativas, que iam de 250 a 450 mil toneladas. Apesar das vendas semanais estarem dentro da expectativa de mercado, o déficit nas vendas dos EUA no ano comercial 2023/24 continua a criar limites para movimentos de alta nos preços.
O país comprometeu 7,18 milhões de toneladas, enquanto para o mesmo período do ano passado já eram registradas mais de 8,80 milhões. Para o ano 2023/24, o USDA estima exportações totais de trigo do EUA de 19,05 milhões de toneladas.

Na bolsa MATIF de Paris, o contrato com vencimento em setembro de 2023 registrou uma baixa semanal de -1,1%, passando de EUR 253,25/t em 18/08 para EUR 232,75/t em 25/08.
O mercado europeu acompanhou as estimativas do Boletim Mars, divulgadas na segunda-feira (21), as quais indicaram rendimentos para o trigo soft total da União Europeia menores do que o projetado anteriormente. Segundo o Boletim, o cereal pode enfrentar uma deterioração em sua qualidade devido aos diferentes eventos climáticos observados durante os dias 1 de julho e 13 de agosto.
No geral, o relatório destacou que o maior volume de chuva contribuiu para atrasos nas colheitas de inverno e de primavera, principalmente na região noroeste da França e em partes da Alemanha. Em contraste, outras regiões da Europa experimentaram ondas de calor e clima seco durante o período analisado. Com isso, o órgão afirmou que as safras de verão no sul e leste da Romênia, na Polônia e na Bulgária foram afetadas.
A partir disso, a maior revisão foi feita para o rendimento do trigo soft europeu, o qual passou de 5,80 toneladas/hectare estimados em julho, para 5,78 toneladas/hectare estimadas em agosto. Apesar de tais condições, o órgão destacou ainda que seus efeitos para as projeções de rendimento foram limitados, sendo necessário continuar acompanhando os desdobramentos do clima.
Para as atualizações semanais, o acompanhamento da safra francesa realizada pela FranceAgriMer foi atualizado com dados do período de 14 de 20 de agosto. Para o trigo soft, a 33ª semana de levantamento mostrou que as condições muito ruins, ruins, suficientes, boas e excelentes permaneceram em, respectivamente, 1%, 5%, 18%, 72% e 4%. No mesmo período tais condições estavam em, respectivamente, 2%, 12%, 23%, 60%, 3%.
O relatório também não trouxe mudanças semanais para o trigo duro francês, que permaneceu com 1% em condições muito ruins, 5% em condições ruins, 26% em condições suficientes, 57% em condições boas e 10% em condições excelentes. O grão também exibe melhora na comparação anual visto que, em 2022, cerca de 2% do trigo duro estava em condições muito ruins, 13% em condições ruins, 30% em condições suficientes, 54% em condições boas e 1% em condições suficientes.

No início da semana, os participantes do mercado de trigo repercutiram a possibilidades da Ucrânia possuir uma via alternativa para o escoamento de suas exportações. A especulação dessa possibilidade ganhou força após o país conseguir evacuar uma embarcação através de uma rota no Mar Negro. Outra questão que pesou no sentimento dos agentes foram as negociações entre a Ucrânia e seguradoras globais, visto que o país busca garantir a cobertura de suas embarcações.
Ao mesmo tempo em que se tem essa possibilidade de escoamento, a Rússia permanece realizando ataques aos portos ucranianos. Nesta semana, a ofensiva no porto de Izmail, região do Rio Danúbio, afetou 13 mil toneladas de grãos, sendo projetado um comprometimento de 15% da capacidade de carregamento desse porto.
Vale destacar que a robusta oferta russa permanece sendo um aspecto limitador de ganhos para o trigo, contribuindo para o sentimento baixista à medida em que instituições elevam suas estimativas de oferta. De acordo com a consultoria Sovecon, a nova projeção para a produção de trigo russo está em 92,1 milhões de toneladas, contra 87,1 milhões de toneladas estimadas anteriormente, devido ao aumento nos rendimentos da região central do país.
A consultoria ainda afirmou que, entre julho e o início de agosto, as condições climáticas exibiram melhora, sendo um panorama positivo para o trigo de primavera russo. Caso o volume de produção se iguale a tal estimativa, a Rússia exibirá sua segunda maior produção, ficando atrás apenas das 104,2 milhões de toneladas produzidas na safra passada.





