- Diminuição da demanda mundial;
- Preços competitivos dos trigos ucraniano e russo;
- Novos recordes mínimos dos preços do trigo-russo.
- Crescimento da posição líquida dos fundos especulativos.
- Redução na estimativa europeia, principalmente na França;
- Possível aumento na demanda dos mercados asiáticos.
O balanço semanal do trigo foi positivo para os preços em Chicago, em uma semana que começou com feriado nos EUA. Assim, o último dia de negociações na semana (dia 23) terminou com 573,5 cents/bu, o que indica uma valorização semanal de 2,32%, dado que o fechamento na semana anterior tinha sido de 560,5 cents/bu.
Uma questão que movimentou o mercado, e que poderia influenciar os preços futuramente, foi a queda nas exportações estadunidenses. Com envios de 233 mil toneladas registrados até o dia 15 de fevereiro, esse nível indica uma queda de quase 40% quando comparado à média das quatro últimas semanas.
Outra notícia relevante da semana, foi o crescimento da posição líquida dos fundos especulativos para o trigo, mostrando um aumento do pessimismo em relação à tendência dos preços. Lembrando que, uma posição líquida longa indica que os traders ou investidores estão apostando em preços mais altos, enquanto posições líquidas curtas indicam que os agentes apostam para uma queda nos preços.


Após um começo de baixa, os preços do trigo europeu se recuperaram, fechando a semana com uma valorização de 1,23%, dados os 205,75 euros/tonelada no fechamento da sexta-feira (dia 23).
Nas notícias da semana, o Ministério da Agricultura na França anunciou que a colheita de trigo 2023/24 melhorou ligeiramente, com 69% da produção sendo considerada boa ou excelente. Desta forma, o maior produtor europeu apresenta um panorama melhor ao esperado, após atrasos nas plantações e perdas pelas quantidades de chuvas.
Já no Reino Unido, os desafios climáticos atrasarão possivelmente as estimativas para a superfície esperada na safra 2024/25. Inicialmente, se esperava a publicação das expectativas dos produtores para a primeira semana de março, mas os dados serão adiados dada a incerteza dos agricultores enquanto a produção estimada.

A situação no Mar Negro foi pouco movimentada na última semana. Do ponto de vista da produção de trigo no país, o clima tem sido favorável às lavouras, com a taxa de abandono estando entre 1% e 2%, contra uma média histórica, que tende a estar entre 6% a 10%. As expectativas de neve e precipitação favorecem um cenário de clima favorável em algumas regiões nos próximos dias, principalmente no centro-sul da Ucrânia.
Além disso, os níveis de preço praticados na semana passada pela Rússia atingiram novas mínimas, sobrepassando o patamar dos US$ 220/ton e alcançando US$ 215/ton na quinta-feira. Também, a Ucrânia reportou bons volumes de exportação na primeira metade do mês de fevereiro, com 1,1 milhão de toneladas exportadas até o último dia 15, o que coloca o mês de fevereiro na trajetória de ser o mês com maior volume de trigo exportado desde 2022.
Do ponto de vista geopolítico, o que vem chamando mais atenção são os conflitos internos na Polônia em reação às importações vindas da Ucrânia. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, vem sofrendo pressão de produtores que protestam contra a abertura das fronteiras dos países, o que permite a entrada de bens agrícolas ucranianos a preços competitivos, pressionando margens dos produtores locais, que também argumentam que sofrem com uma estrutura de custos mais significativa devido às normas e regulamentações ambientais na União Europeia. Na quinta-feira, uma delegação ucraniana visitou a fronteira com a Polônia e um encontro entre os governos dos países deve acontecer nesta quarta-feira (28).





