USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
Estoques domésticos e globais menos apertados, segundo USDA;
Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
Incertezas sobre a política comercial estadunidense.
Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
Recuo nas condições de safra do trigo de inverno nos Estados Unidos;
WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente;
Atrasos na colheita do trigo de inverno.
O mercado do trigo enfrentou forte oscilação ao longo da última semana, chegando a atingir suas mínimas de cinco anos na quarta-feira (06). Com isso, o mercado volta a operar em patamares estabelecidos antes da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando houve uma elevação significativa nos preços da commodity. O contrato com vencimento em setembro/25 encerrou a semana avaliado em 514,50 cents/bushel, após desvalorização semanal de 0,44%. Em geral, o recuo percentual tímido se deve à recuperação adquirida a partir da quinta-feira (07), depois da forte liquidação nos dias anteriores.
O mercado permanece sob pressão devido ao avanço da colheita do trigo de inverno e pelas boas condições reportadas para os cultivos do trigo de primavera, no Hemisfério Norte. As estimativas apontam para uma grande colheita nos Estados Unidos, assim como em outros importantes países produtores, como na Rússia e Ucrânia. Não há grandes preocupações sobre a safra, neste momento, o que contribui para as forças baixistas serem ainda mais predominantes.
De acordo com os dados do relatório semanal de progresso de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a colheita do trigo de inverno nos EUA se encontra 86% concluída, enquanto 95% do trigo de primavera fora semeado até o momento. Os dados estiveram em linha com as expectativas do mercado, o que contribuiu para a manutenção da pressão sobre as cotações do cereal.
A forte liquidação enfrentada pelo mercado despertou maior interesse de compra entre os negociadores, o que se refletiu em um volume de vendas acima das expectativas dos analistas, conforme relatório publicado pelo USDA na quinta-feira (07). O reporte estimulou uma recuperação dos preços, limitando as perdas para o mercado até o fechamento da semana.


Na Bolsa de Paris, o contrato de setembro/2025, o que apresenta maior liquidez atualmente, também apresentou forte oscilação ao longo dos últimos dias, apresentando fechamento de 195,25 cents/bushel, após queda de 0,51% na semana. A queda nos preços se deve aos mesmos motivos que afetaram a dinâmica do mercado em Chicago: uma pressão ocasionada pelo excesso de oferta gerado pela colheita de uma grande safra no mercado.
No Hemisfério Norte, em geral, a expectativa é de que a colheita forneça bons suprimentos ao mercado. No contexto da União Europeia, no entanto, a ocorrência de chuvas em algumas regiões, incluindo a Alemanha e os países bálticos pode comprometer a qualidade do trigo colhido nesta reta final. Apesar do alerta, a situação ainda representa grandes preocupações ao mercado até o momento.

Em um contexto global, as perspectivas apontam para uma oferta abundante. Apesar disso, surgem preocupações entre os investidores relacionadas ao início dos embarques da safra nova em ritmo mais lento na região do Mar Negro. Há especulações de que este atraso relativo nos envios ao exterior pode estar relacionado a possíveis frustrações com a produtividade para esta temporada.
Na Ucrânia, por sua vez, a produção de trigo para a safra pode ter uma revisão positiva, de acordo com o Ministério da Economia do país. A produção, que era calculada em 21,2 milhões de toneladas deve ser ajustada para 22 milhões de toneladas. Ainda, o vice-ministro ainda afirmou que a estabilidade da demanda por exportação deve incentivar os agricultores a expandir a área de plantio para a próxima safra no país.
A região – principalmente países como a Rússia e a Ucrânia - é a maior exportadora global de trigo, de modo que a ausência desses suprimentos no mercado levanta receios entre os compradores, que tem tais países como fontes competitivas do cereal.





