USDA aponta produção mundial recorde para a safra 2025/26;
Perspectivas otimistas para a colheita na Rússia, Índia e União Europeia;
Incertezas sobre a política comercial estadunidense.
Conflitos no Mar Vermelho trazem novas incertezas sobre exportações no Mar Negro;
Recuo nas projeções de produção para China, Brasil e Argentina;
WASDE aponta estoques finais mais apertados globalmente.
Na última semana, o mercado do trigo registrou nova desvalorização na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato futuro de setembro/2025, por exemplo, encerrou a semana cotado em 506,50 cents/bushel, após desvalorização semanal de 2%. Com isso, o trigo acumula perdas pela quarta semana consecutiva, operando abaixo das suas mínimas de cinco anos.
Na segunda-feira (11), os preços registraram uma ligeira valorização, enquanto os investidores aguardavam a divulgação do Relatório Mensal de Estimativas de Oferta e Demanda (WASDE, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com expectativas de que o relatório reportasse uma redução nos estoques domésticos e globais.
De fato, as expectativas dos investidores se confirmaram. Os estoques finais globais para a safra 2026/27 de trigo foram projetados em 260,08 milhões de toneladas, um recuo de 1,44 milhão de toneladas em relação ao que havia sido estimado na última edição do relatório. Além disso, o USDA ainda projetou a produção global em 806,9 milhões de toneladas, uma queda de 1,65 milhão de toneladas em relação ao montante previsto no mês passado. Os cortes nas estimativas de produção para China, Brasil e Argentina foram os que mais pesaram na conjuntura global. Ainda assim, trata-se de uma projeção recorde para a produção global.
Mesmo diante das revisões feitas nas estimativas de oferta e demanda, o mercado operou sob pressões baixistas ao longo da última semana. Para os investidores, as perspectivas de uma ampla oferta global pesaram mais do que a redução esperada para os estoques finais nesta temporada.


Os plantios no estado do Paraná e no estado do Rio Grande do Sul encontram-se em diferentes fases fenológicas. Após algumas semanas de frio intenso, o cenário no curto prazo tende a ser mais favorável, mas exige atenção para um possível excesso de chuva no final de agosto, especialmente no estado do Rio Grande do Sul.
No estado do Paraná, a previsão indica temperaturas amenas e algum aumento de nebulosidade na segunda semana (após o dia 23), o que pode ser positivo para reduzir o estresse térmico, especialmente nas lavouras que estejam nas fases de florescimento e enchimento de grãos.
Na União Europeia, os preços futuros do trigo também encerraram a semana com balanço negativo. O contrato futuro de setembro/2025 negociado na Bolsa de Paris apresentou recuo semanal de 1,15%, encerrando a sexta-feira (15) cotado em 195 cents/bushel.
Os traders europeus parecem não ter sentido tão fortemente a influência das revisões nas estimativas do relatório WASDE, pelo USDA, dado que os fundamentos altistas – como a redução nas projeções dos estoques finais e produção global – não se refletiram sobre as cotações, que encerraram a semana com acumulado negativo. O WASDE também apontou um aumento produtivo para a União Europeia, devido às condições favoráveis para a safra regional.
Do lado das exportações, a Comissão Europeia reportou um envio de 271.450 toneladas na última semana, totalizando 1,43 milhão de toneladas comercializadas ao exterior desde o início da nova campanha agrícola. Em meio a este contexto, observa-se uma queda de 56% nas exportações em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as exportações já haviam atingido a marca de 3,3 milhões de toneladas.

Na região do Mar Negro, os preços futuros do trigo também recuaram, tornando o trigo da região mais competitivo no mercado internacional.
A colheita do trigo russo atingiu 56,6% do total da área plantada até o momento, à frente do percentual registrado para o mermo período do ano anterior. No entanto, com produtividade média inferior à da safra passada, o volume colhido de trigo é cerca de 0,9% inferior ao que havia sido colhido até o momento no ano anterior. Com isso, a colheita totaliza um volume equivalente a 59,63 milhões de toneladas.
Alguns analistas discorrem que, apesar de uma certa melhora na média nacional de produtividade, fortes contrastes regionais persistem, com as regiões Central e do Volga registrando produtividades mais elevadas, enquanto as áreas do Sul encontram dificuldades, depois de serem duramente afetadas pela seca.





