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Semanal de Açúcar e Etanol

By: Marcelo Bonifacio, Market Intelligence Analyst

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Mercado sonolento acorda no meio da semana, mas ainda sem rumo

Resumo da semana do açúcar | Visão do analista, por Marcelo Di Bonifacio Filho

O açúcar encerra a semana com queda irrelevante de 6 pontos no comparativo com a sexta-feira anterior (17), em um comportamento bastante parecido com a semana anterior: primeiros dias pouco voláteis e segunda metade da semana baixista, mas sem direcionamento claro. O outubro fechou em US¢ 14,77/lb, mas chegou a buscar os US¢ 14,50/lb, na quinta-feira (24).

Entre segunda e terça, o NY#11 teve sessões sonolentas, com o SBV6 oscilando num range curto de US¢ 14,75-14,95/lb, após o fechamento de 17/07 em US¢ 14,83/lb. Já na quarta e na quinta, os preços se depararam com relevante pressão de venda, rompendo a média móvel de 50 dias (US¢ 14,76/lb, na quarta) e buscando a mínima do contrato no mês, vista em 16/07, que foi de US¢ 14,44/lb. Hoje (sexta, 24/07), o #11 se recuperou, em um movimento de correção, mas não recuperou todas as perdas da semana.

Gráfico Intraday – NY#11 (US¢/lb)

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Fonte: ICE-US. Elaboração: StoneX.

Gráfico Intraday – NY#11 (R$/ton, com polarização, sem prêmio)

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Fonte: ICE-US. Elaboração: StoneX.

No geral, o mercado não parece encontrar direcional claro e se acomoda no nível entre US¢ 14,50-15/lb, pautado por uma visão de oferta suficiente pelo Centro-Sul, mas contando com mercados no Hemisfério Norte sob riscos relevantes. Em julho, o tempo tem sido mais seco, proporcionando avanço da moagem no Centro-Sul, com exceção dos últimos dois dias, tema que irei abordar posteriormente. Ao contrário de um mês de junho chuvoso e com muitos dias de colheita perdidos nas usinas, pelo menos a primeira quinzena de julho viu pleno ritmo da safra. Entendemos que a moagem pode ter superado as 50 milhões de toneladas no período.

O impacto direto foi para o etanol, cujos preços caíram para a região de R$ 2,60/L em Ribeirão Preto (SP). Com o início bastante etanoleiro da safra e o consequente derretimento dos preços no mercado interno paulista, o mercado parecia ter encontrado um piso nos R$ 2,70/L para o hidratado (R$ 1,00/L abaixo do que se observava na entressafra), que, por sua vez, foi rompido. A demanda ainda não encontrou tração suficiente para as distribuidoras aceitarem preços mais atrativos às usinas, que cedem diante de um ciclo altamente volumoso em termos de moagem.

Esse tem sido um fator relevante para explicar o marasmo nos preços do açúcar, afinal, se o etanol está em queda (e pode cair ainda mais), quaisquer altas do açúcar para além dos US¢ 15/lb geram pressão de venda pelas usinas, que possuem flexibilidade para “virarem a chave” do mix. Nesta semana, o hidratado na paridade com o açúcar NY base exportação Santos foi cotado, em média, em US¢ 13,94/lb, relativamente mais baixo que o range encontrado pelo outubro/26.

Paridade entre o NY#11 e o etanol hidratado* (US¢/lb)

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* Com CBIOs, base usinas de Ribeirão Preto (SP). Fonte e elaboração: StoneX.

Por outro lado, a virada de quinta para sexta viu chuvas fortes no estado de São Paulo e no Paraná, com previsões positivas para o final de semana em algumas regiões. Em um momento de pico, essas precipitações podem trazer volatilidade e incerteza ao mercado, já que atrasam ainda mais a colheita de 26/27. Mas é importante ressaltar que, a priori, as chuvas são momentâneas, pois as previsões para a semana que vem em São Paulo são de seca, com algumas chuvas que podem chegar no início de agosto.

Colocando ainda mais um sinal baixista vindo do Centro-Sul, os prêmios de exportação em Santos estão abaixo das mínimas dos cinco anos passados, esta semana com um desconto de 50 pontos versus o outubro/26. Interessante que, mesmo nos preços em NY abaixo de “15 cents” e com mix de açúcar até junho apenas em 42% (segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, o MAPA), os prêmios do VHP derreteram, indicando que, com o aumento da oferta de exportação pelas usinas neste momento, ainda tem sido desafiador encontrar destinos e uma demanda ativa capaz de absorver essa produção com velocidade e intensidade.

Particularmente, entendo que essa sobreoferta no trade flow via exportações brasileiras deve durar até o final do ano, especialmente porque parte da demanda adiantou as importações (destaque para a China) de outubro para cá, e o White Premium cedeu esta semana mais de US$ 10/ton, diminuindo ainda mais a hipótese e a perspectiva de demanda por refinado mais firme.

Na semana que vem, iremos publicar nossas novas estimativas de safra sucroenergética do Brasil e do saldo global de açúcar. Fiquem ligados em nosso Portal de Inteligência de Mercado.

SEMANA DO AÇÚCAR

União Europeia
Seca continua agravando as perspectivas para a safra de beterraba

As perspectivas para a produção de açúcar da União Europeia seguem se deteriorando ao longo de mais uma semana. Produtores relataram que a seca severa continua afetando importantes regiões produtoras de beterraba na França, na Alemanha e na Polônia, os três maiores produtores do bloco. Além dos impactos climáticos, a menor área plantada em resposta aos baixos preços observados nos últimos anos também contribui para um cenário de menor oferta potencial para 2026/27. O mercado segue monitorando a necessidade de chuvas nas próximas semanas, uma vez que o estresse hídrico já vem limitando o desenvolvimento das lavouras.

Centro-Sul
Dados do MAPA indicam moagem em junho 11,2 milhões de toneladas abaixo do ano passado

No dia 20 de julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA) publicou o acompanhamento da safra 2026/27 (abr-mar) do Centro-Sul, apontando uma moagem de 31,2 MMt na segunda quinzena de junho, queda anual de 28,4%. Com isso, junho acumulou apenas 70,4 MMt de cana, 11,1 MMt abaixo de junho do ano passado. Este ano, o mês passado foi fortemente impacto pelo aumento das chuvas, que causou somente na segunda quinzena ao redor de 7 dias perdidos de colheita, na média.

Tal cenário prejudicou o ATR, que caiu mais de 10 kg/t, e o mix, que recuou em termos quinzenais. Por sua vez, o mix de açúcar está em apenas 42%, segundo o MAPA, até final de junho no Centro-Sul. Somente no Centro-Oeste, o mix açucareiro acumula 20,7%, 10,4 pontos percentuais abaixo de 2025/26.

Estados Unidos
Novas cotas de importação mantêm atenção sobre os fluxos comerciais

Os Estados Unidos divulgaram as alocações das cotas de importação de açúcar para o ano fiscal de 2027, mantendo o acesso de diversos exportadores ao mercado norte-americano por meio do sistema de quotas tarifárias. Paralelamente, continuam as preocupações com os impactos das medidas comerciais recentemente anunciadas pelos EUA sobre parceiros comerciais relevantes, incluindo o Brasil.

México
Setor aposta em recuperação com ampliação das exportações para os EUA

O setor açucareiro mexicano continuou em destaque após a ampliação da cota de exportação para os Estados Unidos. Representantes da indústria avaliam que a medida pode contribuir para a recuperação financeira das usinas após um período marcado por baixos preços e rentabilidade reduzida. Apesar disso, os estoques de passagem do país devem atingir cerca de 1,5 milhão de toneladas ao final da temporada, o maior volume em mais de uma década, refletindo a combinação entre menor demanda doméstica e restrições estruturais às exportações.

  • SEMANA DO ETANOL

  • Mercado doméstico brasileiro
    Movimentação da semana

  • O etanol hidratado segue em queda nesta semana nas usinas de São Paulo. Em Ribeirão Preto (SP), os preços bateram os R$ 2,60/L (com impostos), oscilando perto dos R$ 2,62/L nesta sexta-feira diante das fortes chuvas que atingiram o estado. A tendência de queda e o rompimento dos R$ 2,70/L mostra que, na disputa de preços entre distribuidoras e usinas, o lado comprador ainda se mantém confortável em pedir preços mais baixos, provavelmente enfrentando uma demanda ainda lenta na ponta final.

INDICADORES

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Sources: ICE, CEPEA, B3, ANP, NYMEX, CBOT, Central Bank of Brazil, California Air Resources Board (CARB), CONSECANA, StoneX. Design: StoneX.
  • Combustíveis Renováveis
  • Açúcar

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O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, assume o protagonismo hoje no Simpósio anual de Jackson Hole do Fed, com discurso previsto para a próxima hora. O mercado certamente irá esmiuçar cada palavra com lupa, mas vale lembrar que seu objetivo declarado é fazer com que o Fed forneça menos orientação prospectiva (forward guidance) e desempenhe um papel menos proeminente, permitindo que o mercado "jogue com a bola, e não com o juiz".

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25 de agosto – Os futuros das bolsas apontam para uma abertura em alta, com o Dow Jones buscando ampliar os ganhos da véspera, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq miram uma reversão nesta terça-feira. O índice VIX está praticamente estável no início do dia, oscilando na casa dos 15,8 no momento em que escrevo. O dólar sobe discretamente mais uma vez, ainda tentando encontrar sustentação próximo do nível de 99,0 após a forte liquidação da semana passada. Os rendimentos dos Treasuries recuam no início do dia, com os de 2 anos caindo abaixo de 4,21%, enquanto os de 10 anos cedem para menos de 4,66% e os de 30 anos ficam abaixo de 5,19%. Esse arrefecimento dos rendimentos, especialmente na ponta longa da curva, é certamente uma notícia bem-vinda para o mercado em meio às preocupações mais amplas quanto à sustentabilidade da política fiscal norte-americana, mas ainda será preciso ver se o movimento se sustenta. O petróleo opera em forte queda no início do dia, depois que o anúncio feito ontem pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, veio menos agressivo do que se temia e reforçou a expectativa de que os EUA buscarão escalar a pressão pela via econômica, em vez da militar, o que potencialmente se traduz em menor risco de danos de prazo mais longo à oferta na região. O Ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, também destacou que houve "progresso significativo" nas negociações entre os dois lados, sustentando a ideia de que essas medidas possam funcionar como um reinício para conversas de paz mais relevantes, embora a retórica dura de autoridades iranianas contraste com isso. O WTI para entrega próxima recua 3,4% nesta manhã, negociado perto de US$ 82,10, enquanto o Brent para entrega próxima cai 3,0%, ao redor de US$ 87,80. Enquanto isso, as commodities agrícolas operam em baixa quase generalizada, apesar de um relatório de Crop Progress do USDA, divulgado após o fechamento de ontem, majoritariamente mais altista do que o esperado.

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August 24 – Stocks futures are pointing to a lower open to start the week amid a resumption of trade tensions and concerns regarding the potential downstream impact which we’ll dive into in more depth below. The VIX is elevated in response but still remains on the lower end of what we’ve seen in 2026, hovering around the 15.9 level at the time of writing. The dollar is quietly higher to start the week, appearing to find its footing after last week’s sharp break lower as it trades near 98.93. Treasuries are mixed to start the day, with 2-year yields rising to hover near 4.245% while long-term yields are off slightly, with 10-year yields trading at 4.714% and 30-year yields trading just below 5.24%. Crude oil is quietly lower this morning, with nearby WTI down roughly 1.2% on the day to trade near $85.60 and nearby Brent down 3.2% to trade near $91.40. The ags are mixed but mostly higher, led by corn after Friday’s shockingly low Pro Farmer Crop Tour yield estimate which we’ll also dive into in more depth below.

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