
Escalas confortáveis limitam o mercado físico, enquanto futuros mantêm viés positivo
Fechamento entre 17 e 21 de agosto de 2026
- Fatores altistas
- Sinais de virada do ciclo pecuário, com restrição de oferta no curto prazo, o que impacta o mercado físico e futuro;
- Expectativa de sustentação nos contratos futuros mais longos dada a possível retomada de importações chinesas no final do ano;
- Nova cota dos EUA promete acelerar envios nos próximos 90 dias.
- Fatores baixistas
- Basis entre físico e futuro traz indefinição ao fechamento do mercado no curto prazo;
- Escalas mais confortáveis em algumas praças podem afetar as negociações entre produtores e frigoríficos.
Panorama do boi gordo na América do Sul: nova cota dos EUA amplia oportunidades, mas também a concorrência regional
Na última sexta-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a ampliação da cota para importação de carne moída sem tarifa. Nos próximos 90 dias, o país permitirá a entrada de até 300 mil toneladas sem cobrança adicional, em uma medida voltada a amenizar a inflação da carne bovina no mercado norte-americano, que enfrenta restrições de oferta em função da fase de retenção do seu ciclo pecuário.
Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina em 2026, a decisão representa mais uma alternativa para redirecionar parte da oferta após o esgotamento da cota chinesa. Além disso, reforça a disputa com a Austrália pela liderança nas exportações destinadas aos Estados Unidos, mercado que tem ganhado relevância ao longo dos últimos meses.
Por outro lado, a abertura desse espaço adicional tende a intensificar a concorrência entre os exportadores sul-americanos. Desde que atingiu sua cota na China, o Brasil vem ampliando a presença em mercados tradicionalmente atendidos pelos países vizinhos. Em julho, por exemplo, os embarques brasileiros para Chile e Israel cresceram de forma expressiva, justamente os dois principais destinos da carne bovina paraguaia. Com os Estados Unidos ocupando a terceira posição entre os principais compradores da carne do Paraguai, o mesmo movimento pode se repetir. Situação semelhante é observada para Argentina e Uruguai, que também têm os EUA entre seus principais mercados de exportação. Assim, a nova cota norte-americana cria oportunidades para toda a região, mas deve acelerar a disputa por participação de mercado nos próximos meses.
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Visão do analista:
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Por que isso importa? - Mais do que abrir espaço para novos embarques, a ampliação da cota dos EUA deve elevar a competição entre os exportadores sul-americanos em um momento de redirecionamento dos fluxos globais de carne bovina. Quem conseguir ampliar presença nesse mercado terá vantagem na absorção da oferta e na sustentação dos preços ao produtor.
Distribuição das importações de carne bovina nos EUA em 2026 (toneladas)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Confira esse e outros detalhes no relatório interativo da Balança Comercial de Carnes dos EUA.
Preços físicos do boi gordo no Brasil
As cotações permaneceram relativamente estáveis ao longo da semana, com movimentações pontuais entre as principais praças acompanhadas. Minas Gerais registrou a valorização mais consistente, com avanço mais expressivo na terça-feira e manutenção das cotações ao redor de R$ 342/@ nos demais dias. No Mato Grosso do Sul, as oscilações foram limitadas e o saldo semanal foi ligeiramente positivo, de R$ 0,50/@, encerrando também próximo de R$ 342/@. Em Goiás, a queda mais acentuada observada na quinta-feira foi parcialmente revertida na sexta-feira, embora os preços tenham encerrado o período com recuo de R$ 0,66/@ frente à segunda-feira. Em São Paulo, o mercado apresentou viés baixista ao longo da semana, com apenas um leve ajuste positivo no último dia, fechando a R$ 347,37/@. Já o Mato Grosso registrou o movimento mais negativo entre as praças monitoradas, com forte recuo na terça-feira, recuperação parcial na quinta e nova queda expressiva na sexta-feira, acumulando baixa de R$ 4,10/@ e encerrando a semana em R$ 334,08/@. Esses detalhes se encontram no Diário de Boi Gordo, assim como no relatório interativo de Preços, escalas de abate e futuros do Boi Gordo.
Fonte: StoneX.
Escalas de abate
As escalas continuaram confortáveis ao longo da semana, com poucas alterações nas principais praças. O único movimento mais relevante foi observado no Mato Grosso do Sul, onde as programações avançaram um dia e passaram a operar próximas de oito dias úteis. Patamar semelhante é registrado em Minas Gerais e Goiás, enquanto o Mato Grosso conta com nove dias de cobertura e São Paulo segue na liderança, com cerca de dez dias úteis de abate programados. Com boa cobertura das necessidades imediatas da indústria, os frigoríficos mantêm menor urgência nas aquisições de gado, o que preserva seu poder de barganha e continua limitando a sustentação dos preços da arroba no mercado físico. As estatísticas das escalas para cada estado também estão disponíveis no relatório interativo de Preços, escalas de abate e futuros do Boi Gordo.
Fonte: StoneX.
Reposição e relação de troca
O mercado teve uma semana de pouca volatilidade, com ajustes pontuais entre as praças. O destaque positivo no início da semana ficou para Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, enquanto São Paulo apresentou recuos mais consistentes em bezerro e boi magro, concentrados principalmente na quinta-feira. Já na sexta-feira, Minas Gerais registrou a principal queda no bezerro, ao passo que as demais regiões mantiveram variações limitadas. Apesar dessas correções, a reposição segue negociada com ágios elevados frente ao boi gordo, mantendo as relações de troca pressionadas para o invernista e reduzindo a atratividade da reposição. Os detalhes para a evolução de cada estado se encontram no interativo de Ágio e Relação de Troca dos Animais de Reposição.
Fonte: StoneX.
Exportações semanais de carne bovina
A segunda quinzena de agosto manteve ritmo consistente para as exportações brasileiras de carne bovina, apesar da desaceleração frente a 2025. Já na terceira semana do mês, os embarques somaram 46,7 mil toneladas, avanço de 11% em relação à semana anterior. Ainda assim, o volume permaneceu 39% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, refletindo os efeitos do preenchimento da cota chinesa. Considerando as duas primeiras semanas de agosto, os embarques haviam totalizado 42 mil toneladas, ficando 19% abaixo da semana anterior e 23,6% abaixo do mesmo período de 2025.
Apesar da redução nos volumes em comparação ao ano passado, a média diária de exportações em agosto segue acima da registrada em julho, indicando que a diversificação dos destinos tem contribuído para sustentar o escoamento da produção e reduzir impactos mais severos sobre o mercado doméstico. O preço médio de exportação permaneceu acima dos níveis observados há um ano, embora tenha recuado frente aos meses anteriores. Na terceira semana de agosto, a receita alcançou US$ 294 milhões, incremento de 15% sobre a semana anterior. Com isso, mesmo diante de volumes menores, a receita acumulada do mês continua sustentada pelo patamar ainda elevado dos preços internacionais. A Atualização Semanal da Balança Comercial se encontra aqui. Já os dados consolidados no fechamento de cada mês se encontram no painel interativo de Exportações Mensais de Carne.
Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros e perspectivas
A curva futura do boi gordo na B3 encerrou a semana com viés predominantemente positivo, acumulando ganhos em praticamente todos os vencimentos. O movimento de valorização foi mais intenso nos contratos intermediários, com destaque para outubro/26 e novembro/26, que avançaram acima de 0,6% na sexta-feira e lideraram a concentração de liquidez ao longo da semana.
Na segunda-feira, a sessão foi de alta generalizada, com outubro/26 avançando 1,17% e os demais vencimentos registrando valorizações entre 0,29% e 0,90%. O fechamento próximo das máximas do dia em diversos contratos indicou sustentação compradora ao longo da sessão. Na terça-feira, o movimento positivo se manteve, com ganhos concentrados nos vencimentos de setembro a novembro/26, que avançaram perto de 0,8%. A quarta-feira trouxe novo pregão de valorização, com altas entre 0,10% e 0,98%, novamente com destaque para novembro/26. O interesse comprador nos contratos mais negociados reforçou a percepção de sustentação da curva. Na quinta-feira, porém, o mercado corrigiu parte dos ganhos acumulados, com os contratos futuros encerrando em queda generalizada, especialmente nos vencimentos curtos, enquanto fevereiro/27 registrou leve alta. Na sexta-feira, o tom positivo retornou à curva, com valorizações distribuídas por todos os vencimentos. Outubro/26 e novembro/26 lideraram os ganhos, encerrando acima de 0,6%, enquanto os contratos mais longos também registraram desempenho positivo, ainda que mais moderado.
O comportamento da curva ao longo da semana sugere que o mercado segue atento à possibilidade de firmeza nos preços físicos no segundo semestre, especialmente diante da sazonalidade de oferta e da demanda externa ainda aquecida. A concentração de liquidez nos vencimentos intermediários indica que os agentes monitoram o período de transição entre a entressafra e a virada do ano como ponto de maior atenção para a formação de preços.
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.