No mercado doméstico brasileiro, seguindo o mercado internacional, os preços de café arábica terminaram a semana em alta. O indicador CEPEA para o café arábica terminou a semana com valorização de 0,8% cotado em R$ 1.122,44/saca. Os preços de café robusta terminaram a semana com ganhos expressivos, com o indicador CEPEA avançando 4,9% e fechando a sexta-feira (24) cotado em R$ 640,25/saca.
Do ponto de vista dos fundamentos, as preocupações com a demanda de café ainda são tema central entre os agentes. No curto prazo, serão acompanhados de perto os dados de exportação, importação e estoques nos países – na próxima semana, serão divulgados os dados de exportação de café na Colômbia, Vietnã, entre outros países. No médio prazo, os agentes esperam o relatório do USDA com as perspectivas para 2023/24. Geralmente na segunda quinzena de maio, mas sem data definida, o USDA divulga seus relatórios dos adidos nos países produtores e em junho divulgará sua primeira estimativa para o balanço global de oferta e demanda de café.
Com relação à demanda, vale a pena mencionar a entrevista concedida por Paul Rooke, diretor executivo da Associação Britânica de Café (BCA, sigla em inglês), à CoffeeNetwork, que comentou sobre um crescimento contínuo da demanda de café no Reino Unido e estoques em nível confortável. De acordo com Paul, durante a pandemia, houve uma mudança no modo como o café é consumido, com o consumo em casa ganhando mais espaço.
Com as pequenas mudanças nos fundamentos, o mercado de café seguirá reagindo a fatores técnicos e macroeconômicos. Apesar do arrefecimento das preocupações com a saúde do sistema financeiro global, principalmente após a compra do Credit Suisse pelo UBS, este tema segue como ponto de atenção, principalmente no ponto de vista da aversão ao risco e perspectiva dos investidores com a economia mundial. No Brasil, seguirá como centro das discussões o atrito entre os membros do governo e o banco central, e a divulgação do novo arcabouço fiscal. Para acompanhar os principais indicadores que serão divulgados nesta semana, acesse a Agenda de Indicadores Econômicos.
Especuladores entram em posição liquidamente comprada
O último relatório Commitment of Traders (COT) divulgado pela CFTC mostrou que os fundos especulativos adentraram território liquidamente comprado na bolsa de Nova Iorque pela primeira vez desde meados de outubro do ano passado. Segundo a última atualização, os specs aumentaram 3.152 lotes comprados em futuros e opções de café, enquanto reduziram em 3.398 suas posições vendidas, com o saldo passando de -2.527 para 4.023.
O resultado concretiza um movimento de desconstrução das apostas baixistas por parte dos fundos, que saíram uma posição em janeiro de quase 63 mil lotes vendidos e um saldo liquidamente vendido de 44 mil lotes. Durante o período, houve importante retomada das cotações, que avançaram de US¢ 150,90/lb para terminar o dia 21 a US¢ 180,30/lb, quando o mercado internalizou a perspectiva majoritária de que a safra 2023/24 de café do Brasil não deveria chegar próxima aos recordes vistos em 2020/21.
A posição atual dos fundos reflete o mercado mais próximo de um equilíbrio nas últimas semanas, com as cotações mais lateralizadas no mês de março, sinalizando a quebra de fortes tendência, dinâmica que, uma vez que se tem uma melhor concepção sobre a produção, deve permanecer enquanto o mercado busca por informações mais concretas acerca do desempenho do consumo de café no mundo.
Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
