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Semanal de Café

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

Café arábica recua em meio a fundamentos e movimento especulativo

  • Altista
  • Safra atual menor e restrições nas vendas fortalecem diferenciais de café arábica no Brasil no curto prazo;
  • Colômbia volta a registrar produção e exportações mais baixas em abril;
  • Apesar de volumes de exportação expressivos, produtores no Vietnã seguem restringindo novas vendas.
  • Baixista
  • Expectativa de superávit no balanço global de 2026;
  • Projeções de safra recorde no Brasil;
  • Aproximação da colheita no Brasil;
  • Vietnã registra exportação forte em abril.

Queda colombiana e estoques apertados oferecem suporte, mas perspectiva de superávit brasileiro domina o sentimento

A semana de 4 a 9 de maio foi marcada por pressão vendedora nos futuros de arábica, com o contrato contínuo chegando a atingir os menores valores em quase um ano e meio. A semana foi marcada por um retorno do sentimento de balanço mais confortável para o ano e por movimentos técnicos, que adicionaram pressão aos preços na segunda metade do período. O ambiente macroeconômico global permanece complexo: o conflito no Oriente Médio mantém incertezas logísticas sobre o fluxo de cargas e custos de fretes elevados. A trajetória do real brasileiro, que se aproximou dos R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024 — funciona como vetor ambíguo: alivia pressão inflacionária doméstica, mas comprime as margens dos exportadores brasileiros em reais, reduzindo o incentivo de escoar estoques. No conjunto, prevaleceu o viés baixista ditado pela perspectiva de um superávit no saldo global de 2026/27.

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Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.

Arábica: O contrato de julho do arábica encerrou a semana cotado a US¢ 274,8/lb na bolsa de Nova Iorque, com queda semanal de 4,1%. O movimento representou o fechamento mais baixo para o contrato contínuo desde meados de novembro de 2024, com o contrato chegando a registrar mínima intradiária de US¢ 268,0 na quinta-feira. A narrativa fundamental que pressionou as cotações ao longo de toda a semana foi a confirmação gradual de que a safra brasileira avança conforme esperado. O presidente da Illycaffè, um dos grandes grupos da indústria cafeeira, Andrea Illy, visitou fazendas no Brasil e confirmou percepção de avanço expressivo das plantações. Adicionalmente, chamou atenção a fala executivo sobre sua preocupação a respeito dos investimentos que os preços historicamente elevados propiciaram no setor, podendo estimular plantios em excesso e gerar crises nos preços futuros.

No curto prazo, a apreciação do real segue contribuindo para os produtores reterem a oferta, uma vez que suas receitas têm sido impactadas negativamente. Adicionalmente, dados prévios da Secex mostraram que as exportações brasileiras em abril recuaram 1,1% no comparativo anual, indicando ritmo de embarques abaixo do esperado para a temporada. No âmbito especulativo, o relatório CFTC divulgado na sexta-feira apontou que os fundos elevaram sua posição líquida comprada em arábica em 1.644 lotes, para 18.271 lotes, fator que contribuiu para a queda brusca observada na quarta e quinta-feira, e será analisada em sessão adiante.

Robusta: O contrato de julho do robusta encerrou a semana a USD 3.414/t na bolsa de Londres, com alta semanal de aproximadamente 1,0%. O desempenho relativo superior ao arábica reflete dinâmicas de oferta distintas entre as duas variedades. Os estoques certificados na bolsa londrina seguiram em trajetória descendente, acumulando quedas ao longo da semana, permanecendo em níveis historicamente baixos.

Um dos principais fatores de suporte seguem sendo os relatos de que produtores da região do planalto central no Vietnã continuaram retendo vendas, ainda que os números de exportação continuem mostrando evolução. Operadores têm relatado que compradores já redirecionaram atenção para a Indonésia, onde a colheita avança na região de Lampung.

Mercado Físico: No Brasil, o Indicador Cepea para o café arábica encerrou a semana em R$ 1.669,93/saca, com recuo de 5,2%. O Indicador Cepea robusta fechou a R$ 912,99/saca, com queda de 1,3%. O movimento do arábica acompanhou a queda na bolsa foi amplificado pela apreciação do real. Vale relembrar que a apreciação do real reduz o valor de precificação no café no mercado físico brasileiro, apesar de contribuir para reter a oferta e atuar de maneira altista na bolsa em um segundo momento.

Nessa segunda-feira (11): Os futuros de café operam em alta na abertura da sessão. O arábica registra recuperação expressiva de 2,7% em Nova York, cotado a US¢ 282,1/lb, em movimento de correção após a forte queda da semana passada, encontrando suporte adicional na apreciação do real. Já o robusta avança 2,7% em Londres, sendo negociado a USD 3.504/t.

A colheita no Brasil — sobretudo nas áreas de arábica — segue lenta, com regiões como o Sul de Minas e o Cerrado ainda reportando volumes bastante reduzidos. Em contraste, para o café robusta, destaca‑se o avanço da colheita em Rondônia, que começa a apresentar volumes mais relevantes e deve ganhar ritmo ao longo de maio.

A oferta restrita no curtíssimo prazo contribui para sustentar o movimento de correção nas bolsas. Os agentes aguardam a divulgação dos dados do Cecafé referentes aos embarques de abril, que deverão oferecer maior clareza sobre o fluxo recente de exportações.

Nos próximos dias, o mercado seguirá monitorando principalmente o avanço da colheita brasileira e o desenvolvimento climático nas principais regiões produtoras.

 Vietnã — Exportações permanecem aquecidas

O Escritório Geral de Estatísticas do Vietnã informou na última semana os dados de exportações que o país em abril, que manteve o padrão de forte desempenho no ano.

  • Desempenho mensal: A exportação totalizou 3,164 milhões de sacas, queda de 15% frente ao mês anterior, mas ficando 9,2% acima do mesmo mês do ano anterior.
  • Acumulado (out/abril): Nos seis primeiros meses da temporada, o país bateu 18,6 milhões de sacas, superando em 21% as 15,4 milhões no mesmo período da temporada anterior.
  • Receita em queda: apesar do avanço em volume, o valor exportado recuou 7% a/a, totalizando US$ 3,69 bilhões, evidenciando os impactos dos preços significativamente menores no ciclo atual.

Exportações mensais de café do Vietnã (milhões de sacas)image 131136

Fonte: Vietnam Customs. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: Os números fortes do Vietnã reforçam a realidade de uma temporada com volume significativamente mais forte de café robusta no mercado global, e reforça o viés majoritariamente baixista par aos preços em Londres neste ano. Essa perspectiva se mantém com a colheita do café robusta brasileiro à vista, com avanços significativos já sendo identificados no estado de Rondônia.

Em detalhes: No mercado físico de Hanói, os agricultores do planalto central têm vendido abaixo da sua disposição histórica, com relatos de retenção crescente de estoques à medida que os preços futuros se aproximam de níveis considerados pouco atrativos. Traders reportaram esta semana que atividade comercial permanece "fraca", com vendedores aguardando repiques para ampliar coberturas. O fato de os níveis de exportações reportados seguirem elevados apesar dos relatos frequentes de atividade fraca e produtores retendo seu produto, reforça a situação de ampla disponibilidade no país, e que uma pressão sobre preços e diferenciais podem continuar.

Colômbia — Sétimo Mês Consecutivo de Queda na Produção

A Federación Nacional de Cafeteros (FNC) divulgou nesta semana os dados de abril de 2026, que seguiram indicando um desempenho fraco no ano, apesar de mais próximo das médias para abril, que sazonalmente costuma ser o mês de menores volumes no ano.

  • Produção: totalizou 697 mil sacas, queda de 0,8% a/a, marcando o menor volume para o mês desde abril de 2023 e confirmando o sétimo mês consecutivo de retração anual, sinalizando persistência de limitações estruturais e climáticas na oferta.
  • Exportações: recuaram 15% a/a, para 682 mil sacas, refletindo tanto a menor disponibilidade de café quanto um ambiente externo menos favorável nos embarques.
  • Produção acumulada (jan–abr): somou apenas 3,21 milhões de sacas, forte queda de 28% a/a, evidenciando que a recuperação esperada para o início do ano não se materializou.
  • Exportações acumuladas (jan–abr): totalizou 3,25 milhões de sacas, retração de 26% a/a, em linha com a contração da produção e com menor capacidade de escoamento.

Exportações mensais de café da Colômbia (milhões de sacas)image 131137

Fonte: FNC. Elaboração: StoneX.

Por que isso é importante: A Colômbia é o maior fornecedor mundial de arábica lavado, variedade preferida por torrefadores premium e pelas principais redes de cafeteria globais. Quando a oferta colombiana se retrai, o mercado de arábicas lavados geralmente encontra maiores dificuldades em encontrar no curto prazo substitutos diretos com os mesmos atributos. Esse aperto estrutural contribui para que os diferenciais do café colombiano permaneçam elevados.

Em detalhes: O gerente-geral da FNC, Germán Bahamón, atribuiu os recuos ao atraso na colheita secundária (mitaca), que normalmente ocorre entre abril e junho, mas foi comprometida por chuvas intensas nas regiões sul. Departamentos como Huila, Antioquia e Cauca — os três maiores produtores do país — sofreram precipitações até três vezes acima da média histórica em meses recentes, segundo dados do Cenicafé.

Os estoques colombianos também continuam em trajetória de queda: as reservas totais recuaram para 818.000 sacas em abril, ante 883.000 sacas em março e 1,085 milhão de sacas em janeiro — uma redução de 25% em apenas quatro meses. A FNC está utilizando seus próprios estoques para honrar compromissos de exportação. Caso as reduções permaneçam, o prêmio de escassez e estoques apertados podem seguir sustentando o café colombiano com diferenciais elevados.

Perspectiva: No curto e médio prazo, o quadro colombiano permanece estruturalmente restritivo para o arábica. A ausência de um período seco entre janeiro e março comprometeu as floradas do primeiro semestre, o que tende a impactar negativamente a safra principal, que costuma ocorrer principalmente a partir de outubro. A probabilidade crescente de El Niño no segundo semestre tem potencial de ser favorável em alguma medida, reduzindo o excesso de chuvas e favorecer a recuperação gradual da produção, todavia, em intensidade forte, representaria novo risco de estresse hídrico.

Posicionamento especulativo ajuda a explicar correção recente nos preços do café

A forte correção observada nos futuros de café ao longo da última semana pode ser, em grande parte, explicada pelo ajuste no posicionamento dos agentes especulativos, que vinham carregando uma exposição comprada elevada nos contratos da ICE.

  • No relatório mais recente do CFTC, com dados até terça‑feira (5), os fundos apresentavam posição líquida comprada de 18.271 contratos, o maior nível desde janeiro, indicando um mercado já relativamente “alongado” no lado comprador.
  • Esse nível elevado de exposição aumentava a vulnerabilidade do mercado a movimentos de realização, especialmente na ausência de novos fundamentos altistas.

Por que isso é importante: Mercados com elevado posicionamento especulativo em uma mesma direção tendem a apresentar maior assimetria de riscos no curto prazo.

  • Quando agentes estão excessivamente comprados, a ausência de novas notícias altistas pode levar a movimentos de liquidação dessas posições, gerando quedas mais intensas de preços.
  • Esse processo ocorre independentemente de mudanças relevantes nos fundamentos, sendo guiado principalmente por ajustes técnicos e de gestão de risco.

Em detalhes: A dinâmica observada entre quarta e quinta‑feira reflete justamente esse processo de redução de posição comprada por parte dos fundos.

  • Após atingir níveis técnicos mais elevados no início da semana, o mercado passou a registrar liquidação de posições, pressionando os contratos de Arábica, que acumularam queda relevante ao longo de três sessões consecutivas.
  • O movimento ocorreu mesmo na ausência de novos gatilhos fundamentais claros, reforçando a leitura de que o fluxo especulativo foi o principal driver da correção.

Posição líquida dos fundos especulativos e fundos de índice, respectivamente (Milhares de contratos)

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Fonte: CFTC. Elaboração: StoneX.

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TABELA DE INDICADORES

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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
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