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Semanal de Café

By: Leonardo Rossetti, Market Intelligence Analyst

Oferta brasileira de café avança, mas curto prazo ainda sustenta o arábica

  • Fatores altistas
  • Estoques certificados da ICE em mínimas desde 2023.
  • Restrição temporária do fluxo de café colombiano após o terremoto.
  • Retenção de oferta por produtores brasileiros continua elevada.
  • El Niño entra no radar para a safra 2027/28.
  • Fatores baixistas
  • Produção recorde no Brasil deve entrar em maior volume no mercado até o final do ano.
  • Avanço da colheita com clima mais seco.
  • Clima positivo para desenvolvimento vegetativo no Brasil.

Florada no Brasil entra cada vez mais no foco

O mercado de café encerrou a semana dividido entre a expectativa de ampla oferta no médio prazo e a restrição de disponibilidade imediata. Em Nova Iorque, os estoques certificados permaneceram próximos das mínimas desde o final de 2023, enquanto o terremoto na Colômbia adicionou uma nova complexidade logística relevante ao mercado de arábica no curto prazo. Em sentido contrário, o avanço da colheita brasileira, o clima mais seco e as preocupações com a demanda limitaram a recuperação dos preços. Em Londres, o robusta apresentou desempenho mais fraco, pressionado pela perspectiva de maior disponibilidade asiática e pela menor sustentação da arbitragem com o arábica.

Arábica: O contrato de dez/26 do arábica encerrou a semana a US¢ 314,3/lb, com queda de 0,5%. Os preços chegaram a testar máximas de aproximadamente três semanas no início do período, apoiados pela redução dos estoques certificados e pelas dificuldades de embarque na Colômbia. Os estoques registrados na ICE foram reportados em cerca de 242,7 mil sacas, o menor nível desde o final de 2023. A rejeição de lotes brasileiros durante o processo de classificação, somada à ausência de novas certificações relevantes, reforçou a percepção de que a oferta disponível para entrega imediata permanece limitada.

Por outro lado, a safra brasileira recorde em 2026/27 continua atuando como um limitador sobre o potencial de alta, principalmente à medida que a colheita avança e o clima mais seco favorece as operações de campo. A comercialização brasileira permanece mais lenta do que seria esperado diante do volume projetado.

Robusta: O contrato de nov/26 do robusta em Londres terminou a semana a USD 3.594/t, com queda de 4,6%. O contrato atingiu o menor nível em aproximadamente um mês e meio.

O movimento refletiu a pressão da oferta asiática e a percepção de que a disponibilidade de robusta poderá melhorar com a próxima safra do Vietnã. Na origem vietnamita, os preços também registraram retração. Os estoques remanescentes estão baixos no final do ciclo, mas a demanda mais contida e as perspectivas para a próxima safra limitaram os prêmios.

As perspectivas vietnamitas são mistas. Em algumas áreas das Terras Altas Centrais, produtores e comerciantes estimam queda de aproximadamente 20% na próxima produção devido ao clima seco e às dificuldades de irrigação. Em outras regiões, o excesso de chuvas teria favorecido a ocorrência de pragas. A combinação entre menor demanda, estoques reduzidos na origem e expectativa de nova oferta manteve o robusta sob pressão.

Preços futuros de café arábica (US¢/lb) café robusta (USD/ton)

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Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.

Mercado físico: O mercado físico brasileiro apresentou comportamento divergente. O Indicador Cepea arábica subiu 3,6%, para R$ 1.794,15/saca, refletindo a resistência dos produtores em vender e a menor disponibilidade imediata de cafés de melhor qualidade. O Indicador Cepea robusta recuou 3,7%, para R$ 1.049,17 por saca, acompanhando a queda dos futuros em Londres e a pressão da oferta asiática. A diferença de desempenho reforça a sustentação relativa do arábica no mercado doméstico.

Abertura de segunda-feira: O café inicia a semana em alta nas duas bolsas, com o arábica liderando o movimento e superando US¢ 318/lb no vencimento de dezembro. Nas últimas duas semanas, o arábica parece estar encontrando suporte significativo na média móvel de 20 períodos, o que pode continuar atuando como ponto de sustentação para manter a lateralidade que vem sendo observada no mercado. Já em Londres o vencimento de novembro passou por correções após a forte queda da semana passada e marcou uma alta de 1,5%, terminando a USD 3.644/t.

Enquanto o clima no Brasil e o início da florada estarão no centro das atenções, permanecem no radar a normalização dos embarques colombianos e o ritmo de vendas brasileiras.

Brasil - Clima e florada 

As chuvas registradas em diferentes regiões cafeeiras do Brasil têm favorecido o surgimento de novas floradas, que devem avançar ao longo dos próximos dias. Em termos de precipitação, as condições climáticas seguem favoráveis. Até o momento, o El Niño não tem representado um grande problema para as áreas produtoras, que, de maneira geral, continuam apresentando boas condições vegetativas e desenvolvimento satisfatório das lavouras.

Conilon: As regiões produtoras de conilon no Espírito Santo e na Bahia, assim como as áreas de robusta em Rondônia, apresentam um calendário de florada mais antecipado em relação às regiões de arábica. Com isso, suas floradas já se encontram em estágios mais avançados. As chuvas observadas recentemente no Espírito Santo têm contribuído positivamente para o desenvolvimento das lavouras. Nos últimos dias, o time de campo da StoneX esteve na região e constatou um elevado percentual de floradas já emitidas, superando metade do potencial esperado, além de plantas com bom vigor vegetativo e condições sanitárias favoráveis, conforme ilustrado nas imagens abaixo.

Novas floradas no arábica: Algumas áreas das Matas de Minas registraram volumes de chuva mais expressivos durante o último fim de semana. Esses acumulados já devem ser suficientes para desencadear novas floradas nos próximos dias. Além disso, a previsão de novas precipitações para a região na próxima semana, especialmente a partir do dia 22, tende a reforçar esse processo e estimular a abertura de floradas em uma parcela significativa das lavouras. Com isso, as Matas de Minas devem se destacar como uma das regiões mais avançadas no desenvolvimento das floradas entre as áreas produtoras de arábica.

Já para o Cerrado, também há previsões de chuvas para a partir do dia 25, mas em volumes mais moderados, enquanto para o Sul de Minas há menos sinais de chuvas expressivas. As próximas atualizações dos modelos de previsão de chuvas permanecerão sob monitoramento nos próximos dias.

Floradas em municícipios produtores do Norte do Espírito Santo
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Câmbio brasileiro: dólar mais alto pode aumentar a oferta física de café

A alta do dólar frente ao real tende a elevar a receita dos produtores e exportadores brasileiros quando os preços internacionais são convertidos para a moeda doméstica. Esse mecanismo normalmente estimula a comercialização, pois cada dólar recebido passa a representar mais reais. Com maior oferta física disponível, o movimento pode pressionar os diferenciais e limitar os preços futuros.

Por que isso é importante: O câmbio influencia diretamente a decisão de venda na origem. Quando o real se fortalece, o produtor recebe menos reais por saca exportada e tende a postergar a comercialização. Já uma depreciação da moeda brasileira melhora a remuneração doméstica e pode acelerar o fluxo de café para exportadores e torrefadoras.

Na última semana, o real apresentou momentos de enfraquecimento, com a cotação do dólar passando de aproximadamente R$ 5,09 para R$ 5,22 por dólar na sexta-feira. Esse movimento contribuiu para um melhor ritmo de comercialização, observado principalmente para o café conilon do Espírito Santo. Ainda assim, a moeda permanece mais valorizada do que no início do ano, quando o dólar era negociado acima de R$ 5,50, o que ajuda a explicar a resistência dos produtores em vender rapidamente.

O que esperar: O câmbio seguirá como um dos principais vetores de curto prazo para o ritmo de comercialização. Uma nova depreciação do real poderá aumentar a disponibilidade brasileira e limitar altas, enquanto a retomada da valorização da moeda tende a reforçar a resistência dos produtores.

Cecafé: exportações crescem em julho, mas com forte mudança na composição

Os dados do Cecafé mostraram aumento das exportações brasileiras no primeiro mês do novo ano-safra, embora com queda da receita e desempenho bastante desigual entre as variedades. O resultado combina maior fluxo de robusta com menor embarque de arábica, em um contexto de colheita atrasada, chuvas nas regiões produtoras e preços médios mais baixos.

Em detalhes:

  • Arábica: exportações de 1,82 milhão de sacas em julho, queda de 8,7% na comparação anual.
  • Robusta: embarques de 851.235 sacas, alta de 84,4%.
  • Café verde total: 2,67 milhões de sacas, aumento de 8,7%.
  • Solúvel: 351 mil sacas, alta de 19,5% frente a julho do ano passado.
  • Total incluindo solúvel e torrado: 3,03 milhões de sacas, crescimento de 10%.
  • Acumulado de janeiro a julho: 18,4 milhões de sacas, queda de 7,7%.
  • Acumulado de arábica: 15 milhões de sacas, recuo de 16,6%.
  • Acumulado de robusta: 3,3 milhões de sacas, avanço de 73,5%.
  • Receita: US$ 903,9 milhões, queda de 13,2%, devido à redução dos preços médios.

Acesse o relatório interativo para verificar todos os detalhes.

Exportações mensais de café arábica do Brasil (milhões de sacas)image 135915

Fonte: Cecafé. Elaboração: StoneX.

Exportações mensais de café robusta do Brasil (milhões de sacas)
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Por que isso importa: O aumento do volume total não representa uma recuperação uniforme das exportações brasileiras. O crescimento foi concentrado no robusta, enquanto o arábica continuou enfrentando restrições operacionais, atraso da colheita e menor disponibilidade de cafés de qualidade.

A queda da receita, apesar do crescimento dos embarques em julho, evidencia a pressão dos preços internacionais sobre a remuneração do setor e a resistência do produtor em comercializar. Ao mesmo tempo, a menor exportação de arábica reduz a oferta global justamente quando os estoques certificados da ICE estão em níveis muito baixos.

O que esperar: A evolução dos embarques dependerá da velocidade de conclusão da colheita brasileira, da qualidade dos lotes disponíveis e da disposição dos produtores em vender. Uma aceleração da comercialização de arábica pode aliviar parte do aperto nos estoques, algo esperado principalmente nesta segunda metade de agosto.

Terremoto na Colômbia restringe o fluxo de café e adiciona prêmio logístico

O terremoto de magnitude 7,4 atingiu o coração produtor de café da Colômbia e provocou danos à infraestrutura, deslizamentos e restrições ao transporte em regiões como Caldas, Risaralda e Chocó. O impacto sobre o mercado foi ampliado pela interrupção parcial das operações no porto de Buenaventura, responsável por aproximadamente 60% a 70% das exportações colombianas de café.

Por que isso é importante: A Colômbia é um dos principais fornecedores mundiais de arábica de alta qualidade e responde por cerca de 25% do café consumido nos Estados Unidos. As dificuldades para transportar o café das fazendas até armazéns, unidades de processamento e o porto reduziram a disponibilidade imediata e levaram compradores a considerar origens alternativas, especialmente o Brasil. Os eventos levaram os diferenciais do país a voltarem a avançar na última semana, mantendo os prêmios sobre o café lavado significativamente elevados para os compradores.

O porto de Buenaventura iniciou uma retomada gradual de algumas operações, mas ainda apresentava restrições para receber contêineres cheios destinados à exportação. Também foram relatados danos em armazéns e em uma unidade de processamento em Armenia, indicando que a normalização dependerá não apenas da recuperação das estradas, mas também da retomada da capacidade de beneficiamento.

O que esperar: Operadores do mercado local estimam que o fluxo de café até Buenaventura possa levar aproximadamente 15 dias para normalizar. A recuperação das unidades de processamento pode demandar mais tempo. No curto prazo, o evento tende a manter um prêmio de risco sobre o arábica, especialmente enquanto os estoques certificados permanecem reduzidos. A intensidade e a duração desse suporte dependerão da abertura de rotas alternativas por Cartagena e Santa Marta e da capacidade do Brasil de compensar eventuais atrasos colombianos.

TABELA DE INDICADORES

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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
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17 de agosto – O setor de tecnologia firmou-se durante a noite, enquanto os demais setores ficaram mistos, à medida que o status quo continua tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro. Esse status quo é de escalada lenta, criando mais risco para as commodities. Os mercados de commodities estão se tornando um pouco mais sensíveis às manchetes novamente, focados nas duas guerras, enquanto as ações permanecem resilientes de modo geral. O VIX está sendo negociado perto de 15 nesta manhã, após estabelecer novas mínimas de 2026 na semana passada, logo abaixo disso. O dollar index está sendo negociado perto de 99,4. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,71%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,19%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 83 por barril, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 89 por barril. Os preços do trigo recuaram durante a noite, enquanto os preços de milho e soja registraram ganhos.

Arlan Suderman
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14 de agosto – O S&P está à beira de novas máximas novamente nesta manhã, após outra noite relativamente tranquila nos futuros das bolsas. Os dados de inflação desta semana foram um não-evento para os mercados, já que vieram em linha a modestamente abaixo das expectativas, deixando os números de vendas no varejo desta manhã para encerrar a semana. Esses números vieram mais fracos do que o esperado, levando a rendimentos mais baixos dos Treasuries e a esperanças crescentes de que o Federal Reserve recuará de suas ideias de alta de juros, o que sustentou os futuros das bolsas. O VIX continua a ser negociado perto de 14, o que está próximo das mínimas de 2026. O dollar index está sendo negociado perto de 99,6. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,65%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,13%, à medida que a curva de juros continua a se inclinar. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 81 nesta manhã, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 87 por barril. A montanha-russa continua nos mercados de grãos e oleaginosas, com os preços mais altos nesta manhã diante das tensões crescentes na guerra Rússia-Ucrânia.

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