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Trigo e milho sob pressão com tensão no Mar Negro

By: Liderança Inovadora, Liderança Inovadora

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A concentração das exportações do Mar Negro continua redefinindo os preços do trigo e do milho

Cerca de 28% das exportações globais de trigo e aproximadamente 10% das exportações mundiais de milho vêm de apenas dois países: Rússia e Ucrânia. Essa concentração explica por que um conflito regional continua redefinindo os preços globais dos grãos. Em uma escala como essa, o mercado não precisa perder volume efetivamente para reprecificar: basta duvidar de que esse volume conseguirá ser embarcado. Novos ataques a portos, terminais e embarcações no Mar Negro impulsionaram os preços do trigo na Bolsa de Chicago (CBOT), puxando também o milho para cima. A questão que surge é: quais origens alternativas realmente têm capacidade para suprir essa lacuna?

Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, acompanha os mercados de grãos, oleaginosas e soft commodities, fornecendo análises de preços para clientes do setor agropecuário em toda a América do Sul. Seu trabalho abrange as cadeias de suprimentos do Brasil e da Argentina, mercados aos quais os compradores globais costumam recorrer quando os fluxos do Mar Negro enfrentam ameaças, além das mudanças de produção e políticas que determinam o volume disponível para exportação nesses países.

Destaques

  • Rússia e Ucrânia respondem por cerca de 28% das exportações globais de trigo e aproximadamente 10% das exportações de milho.
  • Ataques a portos, terminais e embarcações no Mar Negro transformam a incerteza sobre a oferta em prêmios de risco mais elevados.
  • A Argentina combina uma safra recorde de milho com cortes em impostos de exportação, aumentando sua competitividade de preços.

 

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A concentração das exportações do Mar Negro transforma ataques a portos em risco global para os preços

Os preços do trigo e do milho negociados na Bolsa de Chicago reagem às ameaças aos fluxos do Mar Negro, e não apenas a perdas efetivamente confirmadas. A razão é a forte concentração das exportações.

“Quando os ataques começam a atingir portos, terminais e até embarcações civis no Mar Negro, o mercado tende a precificar o risco de que esses fluxos não consigam operar em ritmo normal”, explica Bulascoschi, acrescentando que “essa incerteza sobre a oferta se traduz em prêmios de risco mais elevados”.

Como Rússia e Ucrânia, juntas, representam cerca de 28% das exportações mundiais de trigo, não existe outra origem com escala suficiente para dissipar rapidamente essas preocupações. Para compradores com exposição física ao trigo e ao milho, os movimentos de preços passam a ser impulsionados pelo risco logístico em um único corredor de exportação, e não por mudanças no balanço global de oferta e demanda. Quanto mais os ataques atingem a infraestrutura exportadora, maior tende a ser o impacto logístico incorporado aos preços.

A Argentina absorve mais do espaço deixado pelo Mar Negro do que o Brasil pode oferecer

“Quem tem maior potencial de se beneficiar dessa situação é a Argentina”, afirma Bulascoschi. Segundo ele, uma safra recorde de milho e perspectivas favoráveis para o trigo garantem ampla oferta e preços competitivos.

A vantagem argentina também é fiscal. O governo reduziu as retenciones, impostos aplicados às exportações agrícolas, o que melhora a competitividade dos grãos argentinos frente a outras origens.

O Brasil, por outro lado, entra em sua janela de exportação de milho com menor disponibilidade. O forte consumo interno e a necessidade de formação de estoques para a próxima safra reduzem o excedente exportável, podendo tornar o milho brasileiro menos competitivo no mercado internacional.

Para compradores comerciais, essa diferença é decisiva na hora de identificar de onde poderá vir o volume necessário para substituir eventuais faltas. Como resume Bulascoschi: “Há espaço para ganhos tanto na Argentina quanto no Brasil por conta da situação no Mar Negro”, embora as oportunidades não tenham a mesma dimensão em ambos os países.

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--- Escrito por: Frédéric Guétin, StoneX Media Producer

--- Especialista: Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil

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Comentários de Abertura

21 de agosto – Os futuros das bolsas norte-americanas avançaram durante a madrugada, apesar da profusão de manchetes negativas veiculadas pela imprensa. É possível ler as notícias desta manhã e cair em desespero, mas, em seguida, observar os futuros das bolsas operando em alta, logo abaixo das recentes máximas históricas. O índice VIX volta a negociar próximo de 15 nesta manhã, com o índice do dólar (DXY) operando perto de 98,7, em suas mínimas de três meses. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos operam próximos de 4,71%, enquanto os de 2 anos giram em torno de 4,20%. O petróleo WTI está perto de US$ 87 por barril, enquanto o Brent é negociado ao redor de US$ 94. Os mercados de grãos e oleaginosas operaram majoritariamente em baixa durante a madrugada, à medida que nos aproximamos de um fim de semana em que as manchetes certamente continuarão a fluir tanto da guerra no Oriente Médio quanto na do Mar Negro, embora também tenhamos visto grandes vendas relâmpago (flash sales) do USDA nesta manhã.

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20 de agosto – Os futuros das bolsas norte-americanas recuaram durante a madrugada, em meio à alta dos preços das commodities e à elevação dos rendimentos dos Treasuries. O índice VIX firmou-se e negociava próximo de 16 neste horário, enquanto o índice do dólar (DXY) opera perto de 98,7, após ter atingido nova mínima de três meses nesta manhã. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos operam próximos de 4,70%, enquanto os de 2 anos giram em torno de 4,20%. O petróleo WTI avançou para perto de US$ 88 por barril, enquanto o Brent é negociado ao redor de US$ 94 por barril. O setor de grãos e oleaginosas também ampliou os ganhos da véspera durante o pregão noturno.

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